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Fui na igreja e ouvi uma mensagem sobre Agar no deserto, com seu filho criança, sozinha e desamparada e tendo esgotado a última gota dagua, ela se afastou pra longe do filho para que seus olhos não contemplassem sua morte por cede.

Sem saber do que acontecia no interior de sua mãe, o menino clamou à Deus por água e foi atendido quase de imediato, pois havia um poço dagua na frente da sua mãe, que devido o desespero ela não enchergava, precisando um anjo aparecer pra ela e dizer: “mulher, porque choras? Levante e pegue a agua, porque o Senhor ouviu o clamor do menino.”

Certamente Deus ouvia a mulher. Assim como ouviu o menino.
Certamente que a mulher não via apenas a problematica da água, mas de um todo. Afinal, tinha sido escrava, e, por ser escrava não teve a opção de dizer não à solução que Sara achou ter encontrado por sua própria conta à sua infertilidade, e, agora, sozinha com uma criança tinha sido expulsa para o deserto à vagar, pois não podia permanecer onde morava. Pra onde ir? Como cuidar de tudo sozinha, sem amparo, sem condições?
Não se tratava apenas da água.
Aquilo era sim “a gota dágua”. Estar desamparada no deserto, mãe-solteira, com uma criança à tira-colo lhe faltar água. O que faltava? Morrer alí, de sede?

Desespero, indignação, raiva, tristeza, abandono e negligência sofridos injustamente por conta da rebeldia à Deus de outra pessoa que nada tinha haver com ela.
Ela não escolheu aquele destino, mas, se via abandonada no deserto sozinha com uma criança.
E ainda lhe falta a água, e tudo em volta é areia, deserto, nada.
Além de tudo ainda ter de assistir a morte do próprio filho?

O desespero é sem sombra de dúvidas uma das piores coisas do universo. Pq impede vc de enchergar, agir, pensar, decidir… vc faz tudo errado e isso se consegue fazer alguma coisa.
Além de fritar os seus neurônios.
Você gasta toda sua energia em poucos minutos e se sente super exausto e frustrado, porque, ao perceber a exaustão, percebe também a incapacidade de fazer qualquer coisa pra resolver seus problemas… o que causa ainda mais desespero. Ciclo vicioso que, uma vez dentro, impossível sair.

Para o menino, água resolvia.
Mas ele era menino. E, mesmo que sofresse ao entender o abandono do pai, não sabia muito da vida e nem imaginava como seria o futuro, que coisas precisariam ser resolvidas ou o que. Ele tinha sua mãe. Não estava sozinho. Estava parcialmente seguro. Ia ficar tudo bem. Qualquer coisa, como havia aprendido, era só clamar à Deus, e na sua primeira tentativa, foi atendido logo de cara.

Sobre Ismael, sabe-se pouco. Sobre Agar também.
Mas, como em todos os casos narrados na bíblia, todos possuem uma possibilidade de adequação à fatos da nossa vida, permitindo uma análise melhor, para encontrar uma saída melhor.

No final do texto, havia um resumo, que Agar escolheu uma esposa para seu filho no meio das mulheres do Egito, de onde ela mesma tinha vindo. E, que a promessa de Deus à Abraão, abrangia também o seu filho, sem restrição.

Não diz quanto tempo isso levou, mas, a vida deles se estabilizou e todas as preocupações de mãe que Agar tinha foram resolvidas.
Pelo menos antigamente, enquanto os filhos estavam solteiros, haviam preocupações para seus pais.

O cara que estava pregando, de terno de microfibra, cinza, risca-de-giz, muito bem barbeado e de cabelo curtíssimamente cortado, lia o texto com alegria. Sua voz ecoando sem microfone pela pequena igreja Assembléia de Deus do lado do meu serviço.

Quem me conhece sabe as “n” coisas que tenho vivido, e, exausta como eu estava aquela segunda-feira, decidi que não iria ao cursinho. Ia lá fazer o quê? Cansada como estava não teria a menor condição de sequer prestar a atenção na aula, não renderia nada, não reteria nenhuma informação. Falei para mim mesma: “vou pra igreja. Não tenho mais saúde alguma, mal consigo andar. E, se preciso de forças, é lá que irei encontrar.” e fui.

Cheguei tarde, perdi o louvor, mas sentei-me no banco como se eu pesasse toneladas e abri meus ouvidos pq alí era fácil prestar atenção.

E o cara dizia: “Quando a gente está focado nos problemas, como Agar estava, não enchergamos a solução, que muita das vezes está na nossa cara, como o poço que estava na frente de Agar e ela não via, chorando desesperada… precisou vir o anjo de Deus dizer pra ela que estava alí”.

Eu devo mesmo estar muito cega, pensei.
Gostaria que Deus abrisse meus olhos e eu ver o “poço” bem na minha frente.
Mas, claro que não se trata de mera água… não… muitos são os problemas. Muitos mesmo. Em praticamente todas as áreas e assuntos pertinentes à minha vida, e inclusive envolvendo à terceiros.

Daí eu me pergunto: até quando eu vou ficar nessa?
Saco-mega-cheio de viver sempre a mesma novela.
E, ainda incluí nesta mesmice de passar eternamente a mesma gama de problemas, um novo fato: a de que; se alguém pretende te fazer algum mal, ela simplesmente faz e acabou. Sem defeza, nem choro nem vela. Sem amizadinha. Sem ética. Sem camaradagem. Sem anestesia, morfina ou vasilina. E à seco.

Não que eu espere alguma coisa de alguém, pq não espero. Não acredito em ninguém. E depois destes acréscimos pessimistas à minha vivência (citado no parágrafo anterior), fiquei ainda pior.
Mas torna-se revoltantíssimo o fato de vc estar na roça por causa de terceiros, além dos seus problemas anteriores e pessoais, tendo feito tudo certo ainda se dar mau, e ainda vir uma quarta pessoa e de graça, te causar ainda mais danos.

Mas eu não tava na igreja pra travar batalhas de “migo comigo mesma”… tava lá pra desestressar e encontrar o poço na minha frente que eu não enchergava. Pois bem, calei a boca da minha mente e voltei a prestar atenção.

O poço está em Deus, pq Cristo é a água que mata a sede de tal forma que você não volta a sentir cede novamente.

Agar errou em focar-se nos problemas, ao invés de focar em Deus, que possuia as soluções.

Claro. Ela não via.
Não o poço.
O braço de Deus.
Pq não se encherga a pessoa de Deus.

Apesar de fazer tudo certo, e ter sofrido as fatalidades e injustiças, no final, ela cometeu o mesmo erro de Sara, por acreditar que tudo estaria por conta dela. A solução, o problema, o deserto, as questões pessoais, os erros alheios que destruíram sua vida (sim, pq no desespero, vc encherga sim, e só uma coisa: ruínas)… tudo.

As soluções para os problemas de Agar não vieram como a resposta ao clamor do menino, que foi na hora, mas, cada coisa deu certo na hora que deviam ser. Não precisava ter se desesperado com o futuro deles, muito antes destes dias chegarem.

As vezes a gente é igual.
Pensa que, porque não enchergamos nada, não existe nada para ser visto.
Ou, porque não conseguimos saber do amanhã, e não temos condições de cuidar do hoje, Deus está preso na mesma limitação.

Gostaria de ser uma pessoa dotada daquela fé que move montanhas. Sou muito diferente disso. Tão avessa que a maior parte das vezes sou negativa e pessimista. Porque estou há tanto tempo aflita, com um mesmo mix de problemas, que, passa dias e dias se tiver que mudar alguma coisa, sempre muda pra pior, que com o tempo perdi toda a esperança de um dia melhor.

E eu não me orgulho disso.

Não vou dizer que não tenho dias felizes… porque é mentira.
Mas, apredi que pra viver eu dependia só de mim mesma. Porque nunca ninguém fez ou fará ou faria algo por mim.
Porque minha família sempre faltou. O que esperar de alguém da rua? Nada.
Mas, também não vou dizer que nenhum parente meu me estendeu a mão. Porque também é mentira.
Mas, chega uma hora que você se cansa de viver de “quebra-galhos”, de ajudas esporádicas ou favores momentâneos. Você precisa de uma solução definitiva, e ela não vem e você não tem nem previsão de quando poderia ocorrer. E isso cansa.

Neste momento de desespero, ouvi meio atribulada e sem paciencia o texto bíblico, e das muitas coisas que o cara disse, só guardei de fato as que escrevi aqui, sobre onde focar os olhos diante de problemas. Então pensei: “no quê posso dar utilidade este aprendizado que tive?”

Posso, observando a história de Agar, ter a segurança de saber que tudo vai dar certo no final.

Lá detrás da linha do horizonte, onde as colinas móveis de areia escondem dos meus olhos… a certeza que Deus olha pra mim e por mim, mesmo eu me achando a última das pessoas da face da terra.

Mas eu não vejo.
Porque um poço na minha cara não é o sucego de todos os problemas que me preocupam já estejam resolvidos.
E me desespero.
Sem esperanças vou seguindo em frente, cansada, pensando à todo momento: “será que vale a pena tanta mão-de-obra?”
Mas eu não sei parar… pra onde eu iria se desistisse de caminhar?
Nem paz com os que estão à minha volta me “gorando” eu iria conseguir.
Porém, o fato de eu ficar me preocupando não resolverá o meu problema. Ficar pensando initerruptamente neles não fará com que se resolvam. Me esgotar de ansiedade não fará as rotações da terra se acelerarem nenhum segundo sequer.

Então, me pergunto ainda: “porque eu não paro com isso e não confio em Deus e descanço? Vício maldito de permanecer no medo e no desespero… até parece cigarro!!!”

Porque? Porque não confio em Deus e deixo pra lá?
Não tenho mais saúde de carregar nem à mim mesma… não é relaxo nem negligencia da minha parte… Deus sabe disso. Ele não espera de mim esforço maior do que minha própria força… aliás, o que Deus espera de mim é até bem simples: fé.

Qual o problema comigo?
Pombas!
Fé. E só.
Foco, Tatiana, foco!!!
Foco na água do poço bem na minha frente, pra matar a sede e renovar a força pra caminhar até chegar na minha nova casa.
No meu caso, literalmente, minha casa já pronta que eu preciso formalizar pela Caixa Econômica Federal, assim que for possível.

Já não posso cuidar de coisa alguma. Nem de mim mesma.
E a única coisa que eu precisava mesmo fazer era ter fé.
Como sou chucra, minha gente!
Mas eu consigo. Não deve ser assim tão difícil…
Quem sabe? Só preciso tentar.
Já tentei de tudo e nada adiantou… vou tentar isso. Porque, mesmo não sabendo direito como se faz (apenas ter fé), isso eu sei que vai dar certo.
Então, porque não?