Aquele rejeitadinho(a) que fica sozinho no recreio, ou nas festinhas, ou qq outro evento que tenham mais pessoas da mesma idade… conhece algum(a)?
Pessoas assim passam a vida inteira com o mesmo comportamento. Pq é inerente à sua própria pessoa.
Conheci em toda minha vida, muita, mas, muita gente assim.
De personalidades, caráter, sexo, história, etnia, etc, muito diferente de uma pessoa para outra; mas, uma coisa havia em comum: o comportamento social.
Pessoas muitas vezes incompreendidas, pq ninguém foi saber ou sequer perguntou, a respeito de suas opiniões ou particularidades.
Pessoas que apenas faziam parte do cenário, como um papel de fundo.
Era destas pessoas que eu me aproximava…
“tadinha, alí, sozinha… vou falar com ela”
Como todo rejeitadinho(a), estas pessoas que me aproximei por toda minha vida, tinham um sonho particular de ser reconhecido como importante na patota mais animada da escola, aquela colorida, divertida, que todo mundo parece tão amigo e confidente um do outro, que estão sempre juntos, fazem tudo sempre juntos, mas, nem era percebido(a) então, se conformavam com um certo anonimato, num canto qq, perdido em seus próprios pensamentos.
Tive amiguinhas que até duraram bastante, pq passaram por um período de “estranhas” e “rejeitadas” bastante grande, e, se não fosse eu, continuariam sozinhas. Mas tudo mudava na hora em que se tornavam uma integrante do grupo que diziam odiar, e falavam mal 24hs por dia.
Eram apenas estrelas disputando espaço no palco.
Nunca tive um lugar que eu me identificasse a ponto de eu dizer que era do grupo dos descolados, ou do grupo dos rejeitados, ou do grupo dos nerds, ou do grupo dos esportistas.. ou qq outro grupo, pq, em primeiro lugar, sempre abominei rótulos e nunca admiti um único nome me definir, tanto ao meu caráter, quanto à minha personalidade.
Depois, pq me sentia presa à nomenclatura. Queria me sentir livre até pra ficar em dúvidas de quem eu era.
Mas, sempre me aproximei de pessoas isoladas, caladas, rejeitadas, silenciosas, misteriosas, feridas, magoadas, abandonadas…
Acredito que era uma forma no meu subconsciente de acalentar minha própria ferida.
Pq lá dentro de mim, atrás das impenetráveis muralhas de cimento e aço, havia a solidão e o abandono que eu via no comportamento externo de outras crianças e até adultos nos dias de hj, diante dos meus olhos.
E, logo seguinte, acontecia a mesma coisa.
Estas pessoas que eu dava atenção, importancia e apoio, fazia rir, enchugava lágrimas, escutava, falava… uma a uma iam se esquecendo de mim.
Ou por períodos, ou permanentemente.
Criancinhas que fingiam não me conhecer para a patota das crianças descoladas, e juntava-se aos bulineiros pra rir da minha cara sobre alguma coisa que eu desconhecia.
Adultos que hj fingem estarem ocupados demais pra falar comigo, pra manter uma aparência diante de alguma outra pessoa que vê em mim um desafeto, de que não gostam de mim e não falam comigo.
Ou, criancinhas que só lembravam de mim quando eram esquecidas ou quando cansavam de brincar com elas.
E, não um brincar com elas, por elas tb brincarem, mas brincar com elas, como se fossem o brinquedo.
Daí, quando elas não faziam mais diferença e tinha perdido a graça, voltavam a falar comigo. Pq precisavam falar com alguém.
Interessante que as crianças crescem e permanecem exatamente iguais depois de grandes.
Diferenças muito pequenas.
Assim como a velhice faz esvair as forças dos braços, muitas coisas enfraquecem com o tempo.
Inversamente proporcionais.
Pq, quando eu era criança, estas coisas não faziam a menor diferença.
Eu me bastava.
Eu era forte, eu podia. Eu aguentava.
Daí, o tempo foi passando, sabe?
Como passa pra todo mundo.
E a força foi-se indo.
Aos poucos, sem eu perceber que a perdia.
Junto com a força, ia-se tb a vontade de encontrar novos mundos.
De descobrir quem sabe “o meu lugar” ou “amigos que são mais que irmãos”
Hj, me entristece mais do que eu imaginava quando simplesmente sou esquecida, ou fiquei pra depois.
Pq, que a verdade seja dita, nunca vim primeiro.
Começando pelos meus pais que sempre fizeram questão desde que nasci até hj, me deixar atrás do último, de preferência do lado de fora com o portão trancado, debaixo da chuva e sem capa plástica.
Hj, eu olho pra aquelas pessoas e me pergunto:
Será que algum dia alguém vai se aproximar de mim como eu me aproximei delas?
Não sei.
Só sei que a força que já tive, hj não passa de história.
lembranças fundidas à névoa de tempos que passaram e não voltam mais.
Triste.
Apenas triste.