Tags
Já não enchergava mais, minha visão estava embaçada ao suor, às lágrimas e ao sangue, e conforme avançava, entorpecida pelo barulho, sentia os músculos pesarem pelo cansaço e exaustão.
Mais um dia tinha terminado e sobrou aos sobreviventes buscar os corpos de quem havia ficado para trás, para que, em uma última homenagem fosse celebrado sua honra e dignidade de soldado tombado em solo de ação.
Passadas poucas horas de vigília (sim, pois à esta altura, já não havia mais sono, nem se quisesse), levanto-me ao raiar da aurora, ainda escuro, ainda frio, deixando o acampamento, subindo a colina, olho logo a diante, meus homens, a postos em formação bélica, com suas feições duras, armaduras a reluzir aos primeiros raios de sol, que coloria as nuvens, em sua própria luta para vencer a escuridão tornando a noite em dia aos olhos dos viventes, e vejo os olhos do meu exército… Ainda jovens.
Levanto os olhos para o azul do céu, que começa a explodir em luz e me pergunto, meu Deus… o que faço aqui? Olhe para eles… o que fazem aqui?
Seus olhos, tão cansados quanto os meus, buscava em mim um caminho, um ânimo, uma palavra ou atitude, um início com a esperança de que no final daria tudo certo, procuravam… procuravam em mim a força que já não sentiam mais correr em suas veias…
Me vi alí, só.
Um exército diante de mim, aguardando a ordem.
Sem saber o que fazer ou dizer, me sentindo derrotada, procuro um descanso pra alma cansada, uma palavra acertada a dizer, a melhor atitude a tomar… nada sei sobre o estado do oponente, assim como ele nada sabe de nós, ainda me perguntando se aquilo tudo vale a pena, o tenente se aproxima e diz, colocando sua pesada mão sobre meus ombros, como se me confortasse:
“Estamos em guerra, Tatiana”
Fato.
Nada mais posso fazer para impedir. Mesmo nem tendo mais tanta certeza se quero prosseguir, seguindo o ideal de meus princípios que “desistir jamais”.
Me vi só, mais uma vez, como todas as demais, olhei para o exercito que me aguardava, olhei para os tenentes que também esperavam, olhei para o céu azul…. tantos lugares eu poderia estar agora… talvez se tivesse escolhido outros caminhos…
Mas a dor no meu peito não poderia me fazer destruir meu próprio exército, não poderia presceder por escolha uma vergonhosa derrota…
Reuni o restante de fôlego dos pulmões, levantei a espada a reluzir sob o sol nascente e bradei:
AVANÇAR!

Então de Tatiana Meneghel é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-No Derivative Works 3.0 Brasil.